Lucas do Rio Verde - Abril 3, 2025

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Bispo Pentecostal conquista mais de 50 milhões de seguidores no youtube

Bruno Leonardo é um fenômeno nas redes sociais

Por: Portal JVC / Valdecir Chagas

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(Autor da imagem: Portal JVC)

O bispo Bruno Leonardo é um fenômeno nas redes sociais. Com quase 51 milhões de inscritos em seu canal no Youtube e 9,8 milhões de seguidores no Instagram, o bispo é o religioso mais seguido do país nas redes sociais, desbancando de longe os demais líderes, influenciadores e grupos de música. Como evangélico, vou explicar de onde vem essa popularidade.

A princípio, é muito difícil entender como Bruno Leonardo angariou tamanho sucesso em um cenário tão disputado quanto o dos pregadores religiosos online, especialmente considerando que ele não foi promovido por nenhum grande “padrinho”, o que é comum no meio evangélico.

Ao acompanhar os vídeos, o primeiro destaque vai para a linguagem direta e pessoal: o bispo fala em seu canal como se estivesse falando individualmente com cada ouvinte.

Divulgação

Líder da Igreja Batista Avivamento Mundial, de Salvador (BA), bispo Bruno Leonardo possui o terceiro maior canal do YouTube em número de inscritos no país.
Bruno Leonardo conseguiu levar para o Youtube uma retórica comum em igrejas pentecostais, que é a do “pregador que faz profecias pessoais”. Essa figura do “profeta” que passa uma “mensagem de vitória” é popular em igrejas pequenas e independentes. Muitas pessoas são atraídas para os cultos com a intenção de “receber uma profecia”, como se o profeta fosse uma espécie de oráculo.

Como o bispo consegue transferir essa mensagem pessoal das pequenas igrejas para um canal de Youtube com mais de 50 milhões de inscritos? Com um tom de voz baixo e firme, uma mensagem sempre positiva, embasada em passagens bíblicas, e profecias genéricas, acompanhadas de uma retórica que evoca santidade e disciplina espiritual. Termos como “estava orando e Deus me disse” ou “Deus me mostra pessoas doentes” servem para fortalecer a percepção de que Bruno Leonardo é alguém que tem um acesso especial ao divino.

Ele também não se envolve em polêmicas, se abstendo, na grande maioria dos casos, de dar opiniões políticas. Os eventos de sua vida se tornam testemunhos de seu relacionamento com Deus: foi assim no dia 31 de dezembro de 2023, quando Bruno Leonardo e dois amigos quase se afogaram em uma praia na Bahia. No dia seguinte, ele testemunhou sobre o assunto aos prantos em seu canal, dizendo que Deus havia salvado sua vida.

O grande chamariz do canal são as orações diárias, feitas sempre pela manhã, no final da tarde e no período da noite. São vídeos de aproximadamente 15 minutos que conciliam mensagens curtas e orações quase que individualmente direcionadas. É quase como uma caixinha de promessas para o grande contingente de trabalhadores, geralmente pobres e periféricos, que querem ouvir algo confortável para enfrentar o dia ou para se recuperar dele. Com essa junção de fatores, o bispo conquistou um público que ninguém tinha conquistado ainda.
A cultura das igrejas independentes (e pequenas) de origem pentecostal no Brasil não parece estar no radar dos grandes líderes denominacionais. Muitas pessoas não querem ter compromisso institucional perene com uma igreja, que envolve obrigações como ir a cultos e contribuir financeiramente. Só querem ouvir uma “palavra de vitória”. E outras pessoas seguem frequentando suas igrejas, mas se ressentem da necessidade de devocionais ou orações diárias.

O bispo Bruno Leonardo conseguiu angariar esses dois públicos no Youtube. É uma tendência de individualização da experiência de fé que se manifesta em outras iniciativas, como o livro devocional e podcast “Café Com Deus Pai”, best seller escrito por Junior Rostirolla, pastor da igreja Reviver em Itajaí, Santa Catarina, que, assim como o bispo Bruno Leonardo, busca tornar a experiência religiosa uma prática cotidiana, não necessariamente vinculada aos espaços institucionais.

LEONARDO ROSSATTO é cientista social, especialista em políticas públicas, cristão e torcedor do Santo André. Texto publicado originalmente no jornal Folha de S.Paulo.

Jornalista Valdecir Chagas

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