Várias denúncias encaminhadas por parte dos proprietários e moradores dos condomínios Romancini relatam, o surgimento em proporção assustadora, de plantas aquáticas no Lago da Usina Canoa Quebrada, em Lucas do Rio Verde.
“Fui até na corredeira, onde cai os resíduos de uma grande agroindustria, tem lugares que o rio está, desde quando comecei a ir até lá, cada dia mais estreito. Aqui está sendo só um pedaço do problema, lá pra cima está tomado conta”, relatou um dos moradores.
“A principal causa da infestação de aguapés (ou jacintos-d’água) é a eutrofização, que é o enriquecimento da água com excesso de nutrientes, como nitrogênio e fósforo. Esse fenômeno é geralmente provocado pela atividade humana. Esgoto doméstico e industrial: O despejo de esgoto não tratado ou efluentes industriais em corpos d’água introduz uma grande quantidade de matéria orgânica, detergentes e outros poluentes ricos em nutrientes”, questionou outro morador.
Secretaria do Meio Ambiente se manifesta sobre a situação no Lago Romancini
As reclamações chegaram ao conhecimento da Secretaria Municipal de Meio Ambiente do município que iniciou uma série de ações para apurar a situação e verificar se haveria algum tipo de irregularidade ambiental.
De acordo com o secretário de Meio Ambiente, Felipe Pares, a pasta também recebeu vídeos e relatos por meio de aplicativos de mensagens e ligações telefônicas. “Prontamente entramos em contato com a Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema) para receber orientações e, ao mesmo tempo, deslocamos nossa equipe até o local”, explicou.
Durante a vistoria, fiscais ambientais e um engenheiro ambiental realizaram inspeção presencial no lago, acompanhados por moradores da região. Também foram feitas imagens aéreas com drone e coletas de água em dois pontos distintos do Lago Romancini para análise da qualidade ambiental.
Segundo Felipe Pares, as informações iniciais indicavam “mortes pontuais de alguns peixes e um excesso de plantas aquáticas”. No entanto, no momento da vistoria, não foram encontrados peixes mortos, o que sugere que o episódio pode ter sido pontual. Além disso, a quantidade de plantas aquáticas já era menor do que a registrada nas imagens encaminhadas anteriormente.
As análises realizadas avaliaram parâmetros como pH, condutividade, oxigênio dissolvido e outros indicadores básicos da qualidade da água. “Todos os parâmetros coletados estão dentro do que rege a legislação ambiental”, afirmou o secretário. Com base nesses dados, não há, até o momento, indícios de inconformidade ambiental ou de crime ambiental no local.
O relatório técnico, assinado pela equipe municipal, já foi encaminhado à Sema, que agora avalia se serão necessárias análises complementares. “Podemos aprofundar em outros parâmetros, inclusive químicos e biológicos, caso o Estado entenda que seja necessário para descartar qualquer tipo de contaminação”, destacou Felipe Pares.
Sobre as possíveis causas do aumento de plantas aquáticas, o secretário explicou que diversos fatores naturais podem contribuir para esse fenômeno, como período chuvoso, temperaturas elevadas e maior disponibilidade de nutrientes na água. “Neste momento, não podemos afirmar se é algo natural ou resultado de alguma ação humana. Precisamos ter cautela para não sermos levianos ou injustos”, pontuou.
Apesar de geralmente temporário, o excesso de plantas aquáticas pode gerar transtornos à população, especialmente para quem utiliza o lago para lazer com embarcações, como jet skis e lanchas, podendo causar danos a motores. Além disso, quando essas plantas morrem, a decomposição aumenta a matéria orgânica na água, consumindo oxigênio e podendo levar à morte de peixes.
A Secretaria Municipal de Meio Ambiente informou que segue acompanhando o caso e aguarda o posicionamento da Sema. “Qualquer novidade, estaremos prontos para atender a população e, se necessário, realizar novas visitas e análises no local”, concluiu o secretário.
