Nas lavouras de Mato Grosso, à medida que o milho cresce, os produtores já traçam novas estratégias para escoar e armazenar a produção. O cenário é de safra recorde calculada em 138 milhões de toneladas, mas também de preocupação devido à falta espaço para guardar os grãos, que segundo a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT), o estado tem capacidade para armazenar apenas 50% da produção.
Com a instabilidade geopolítica, o transporte até esses mercados ficou mais difícil e caro. O Irã se consolidou como principal comprador do milho brasileiro. Em 2025, o país respondeu por 23% das exportações. Outros destinos importantes também estão em regiões de conflito, como Egito (18%), Turquia (7%), Arábia Saudita (4%) e Iraque (1%).
Guerra e falta de espaço para armazenar milho pressiona produtores de Mato Grosso. – Foto: Marcelo Souza
Segundo o presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Milho e Sorgo (Abramilho), Paulo Bertolini, o Brasil tem buscado diversificar seus mercados, mas já enfrenta aumento nos custos de produção.
“O milho tem uma carteira de clientes bastante ampla, mas há preocupação com fertilizantes e com o diesel, que encareceram e até faltam em algumas regiões”, afirmou à TV Centro América.
Mesmo com os desafios, a produção segue em alta. Neste ciclo, a expectativa é de quase 138,3 milhões de toneladas de milho, ajudando o Brasil a alcançar o segundo recorde consecutivo na safra de grãos. Em dez anos, a produção saltou de 186,8 milhões para 353,4 milhões de toneladas, com crescimento de 33% na produtividade. O problema é que a capacidade de armazenagem não acompanhou esse avanço.
A previsão para este ano é que o país consiga armazenar apenas 61% da produção, o pior índice desde 2005. Isso representa um déficit de cerca de 135 milhões de toneladas de grãos sem espaço adequado.
Mato Grosso sofre há anos com defict de armanéns para guardar produções agrícolas. – Foto: Reprodução
Em Mato Grosso, maior produtor do país, a situação é ainda mais crítica. O estado consegue armazenar apenas 50% do que produz.
O presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT), Lucas Costa Beber, alerta para o risco de colapso em um cenário de crise internacional.
“Se houver interdição de portos ou navios, não temos onde armazenar. Podemos ter que deixar a produção a céu aberto, com risco de perdas e prejuízo para todo o setor”, afirmou o presidente da entidade.
Atualmente, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) possui 126 armazéns no país, com capacidade total de 1,6 milhão de toneladas, número considerado insuficiente diante do volume produzido. O restante acaba sendo armazenado em estruturas privadas ou até em trânsito.
Diante da falta de espaço, produtores recorrem a alternativas. Em Sinop (MT), no norte do estado, o agricultor Célio Riffel utiliza o “silo-bolsa” para guardar a produção.
“Se faltar espaço, a opção é o silo-bolsa. Já armazenei milho por até dois anos e a qualidade se manteve 100%”, relatou.