Consumidores tiveram um prejuízo estimado de R$ 600 mil pelo empresário do ramo de energia solar que foi preso na manhã desta quarta-feira (2), por descumprir contratos, segundo a Polícia Civil. O investigado, de 40 anos, teria instalado usinas de geração de energia inferior aos que havia sido contratado pelos clientes. A prisão foi realizada durante a “Operação Eclipse”.
Também foram cumpridos quatro mandados de busca e apreensão contra a esposa do empresário e uma funcionária da empresa.
Segundo a Polícia Civil, além dos golpes aplicados pela empresa, contra o investigado, há mais de 10 boletins de ocorrência registrados por crimes como furtos, roubos, estelionatos e receptações.
As investigações começaram pela Delegacia Especializada de Defesa do Consumidor (Decon) e apontaram que o empresário abriu duas empresas e tentou formalizar uma terceira com nome formado pelas iniciais dele e de mulheres que mantinha relacionamentos, utilizando o mesmo nome fantasia em todas as empresas.
De acordo com a polícia, uma das empresas foi aberta em Dom Eliseu, no estado do Pará, em nome da funcionária que também é alvo da operação, quando o empresário estava separado da esposa. Porém, posteriormente foi descoberto que pagamentos de uma usina fotovoltaica, supostamente vendida pela empresa da funcionária, foram recebidos na conta da empresa que o suspeito mantinha com a esposa dele.
O esquema
De acordo com a Polícia Civil, para justificar os atrasos aos clientes nas entregas das usinas, os representantes da empresa usavam várias desculpas, normalmente ligadas ao tempo chuvoso e ao atraso na entrega dos equipamentos por parte da distribuidora.
A polícia informou que, em fevereiro deste ano, o empresário chegou a se passar por uma mulher, se apresentando como funcionária do setor financeiro da empresa, para enviar uma mensagem para vários clientes dizendo que o proprietário havia perdido a família em um drástico acidente, colocando-se, à disposição de pessoas interessadas em fazer orçamentos com a empresa e justificando os atrasos por “questões climáticas”.
Em outro momento, o suspeito disse para os clientes que o caminhão de uma distribuidora de placas de energia solar havia tombado com os equipamentos comprados por ele para a instalação das usinas.
Depois, os próprios consumidores descobriram que a distribuidora, que é uma das maiores da região, não havia registrado qualquer acidente de caminhão da empresa e que o suspeito não era sócio da distribuidora, apenas utilizava o espaço do estabelecimento para atender clientes e fechar contratos.
De acordo com a polícia, o empresário ainda ostentava uma vida de alto padrão nas redes sociais. Nas publicações, ele aparecia com a esposa e com a funcionária da empresa em bares de samba e pagode, camarotes de jogos e futebol e festivais.
Entenda o caso
O proprietário de uma empresa de energia solar foi preso suspeito de instalar usinas de geração de energia inferiores aos que havia sido contratado pelos consumidores. De acordo com as investigações, os alvos são investigados pelos crimes contra as relações de consumo, apropriação indébita, com causa de aumento de pena, e associação criminosa.
Segundo a polícia, foram expedidas ordens para o sequestro de um veículo avaliado em mais de R$ 270 mil, adquirido pela funcionária da empresa, com o dinheiro obtido das vítimas, além da ordem de suspensão da atividade econômica da empresa dos suspeitos.
A polícia também informou que há indícios de que os suspeitos fizeram vítimas em outros quatro municípios do estado.