A dois dias da convenção estadual do PL, o senador Wellington Fagundes (PL) chega ao momento mais delicado de sua trajetória política no Estado. Embora seja o pré-candidato oficial do partido ao governo, Fagundes desembarca na convenção com um cenário de divisão interna, sucessivas demonstrações públicas de resistência de parte da militância bolsonarista e sem conseguir unificar prefeitos e lideranças da própria sigla em torno de seu projeto eleitoral.
O desgaste se agravou nas últimas semanas, quando prefeitos filiados ao PL passaram a declarar apoio ao projeto de reeleição do governador Otaviano Pivetta (Republicanos), ignorando a orientação partidária e esvaziando o discurso de unidade defendido pela direção estadual.
Paralelamente, tanto a executiva estadual quanto a direção nacional do partido precisaram, em diferentes momentos da pré-campanha, reafirmar publicamente que Wellington continua sendo o candidato oficial do PL ao Palácio Paiaguás, um movimento incomum para uma candidatura consolidada e interpretado por aliados como resposta às constantes especulações sobre um possível recuo ou substituição. A convenção está marcada para o dia 22 próximo.
O quadro representa o ápice de um processo de desgaste iniciado ainda em 2022, quando Wellington conseguiu renovar o mandato de senador em uma composição política articulada pelo então presidente Jair Bolsonaro (PL). À época, Bolsonaro buscava garantir um palanque competitivo em Mato Grosso e apoiou a aliança entre Wellington e o então governador Mauro Mendes (União), que disputava a reeleição. A estratégia deu resultado eleitoral, mas não eliminou a desconfiança da ala mais ideológica do bolsonarismo em relação ao senador.
Desde que Bolsonaro ingressou no PL, em novembro de 2021, e levou consigo milhares de novos filiados e apoiadores, Wellington passou a ser alvo permanente de críticas dentro do próprio partido. O histórico de diálogo com governos de diferentes espectros políticos, votações consideradas moderadas e antigas alianças passaram a ser resgatados por adversários internos, que passaram a chamá-lo de melancia, expressão usada para definir alguém verde (sua cor de campanha) por fora e vermelho por dentro.
As manifestações extrapolaram as redes sociais e chegaram aos eventos oficiais da legenda. Em junho de 2023, durante o Encontro Estadual do PL Mulher, em Cuiabá, que contou com a presença da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, Wellington foi recebido com vaias e gritos de melancia, traíra, vira-casaca e fora enquanto discursava. No dia seguinte, minimizou o episódio.