“Quem matou foi o Antônio, isso é incontroverso”. A afirmação foi feita nesta terça-feira (29) pelo advogado Nilton Ribeiro, responsável pela defesa de Antônio Gomes da Silva no julgamento pelo assassinato de Roberto Zampieri. Para o defensor, a principal discussão a ser enfrentada no plenário agora é outra: descobrir quem determinou a execução.
Antônio é apontado pelo Ministério Público como responsável pelos disparos que mataram Zampieri, em dezembro de 2023, em Cuiabá. Durante as investigações, ele confessou participação no crime.
Antes do avanço dos trabalhos no Tribunal do Júri, Nilton afirmou que existem informações relacionadas ao assassinato que ainda não seriam conhecidas pela imprensa e pela própria Justiça. O advogado não antecipou quais seriam esses elementos e disse que pretende apresentá-los no decorrer da sessão.
Segundo Ribeiro, o processo possui “muita sujeira debaixo do tapete” e parte dessas questões poderá surgir durante os depoimentos e debates em plenário.
“Provavelmente essa sujeira toda vai vir à tona”, declarou.
O advogado também manifestou expectativa de que delegados responsáveis pelas investigações sejam novamente ouvidos. Para a defesa, embora não exista controvérsia sobre quem efetuou os disparos, ainda há questões a serem esclarecidas sobre a cadeia de responsabilidades por trás do homicídio.
“Quem matou foi o Antônio, isso é incontroverso”, afirmou. Na sequência, apontou a pergunta que considera central para o julgamento: “Quem mandou?”.
Ribeiro veio de Curitiba (PR) para atuar no júri e evitou detalhar antecipadamente a estratégia que utilizará na defesa. Ele também disse que somente pretende discutir eventual pena depois da apresentação dos elementos que considera relevantes para esclarecer o caso.
“Eu espero que a verdade seja revelada hoje e não vou sair daqui sem a verdade”, declarou.
A duração do julgamento também permanece indefinida. O advogado considera possível que os trabalhos avancem até quinta-feira. Ao defender uma análise ampla das circunstâncias do assassinato, utilizou a expressão de que será necessário “quebrar o ovo para fazer o omelete” para que, na avaliação dele, o caso tenha um julgamento adequado.
Além de Antônio, estão no banco dos réus Hedilerson Fialho Martins Barbosa, acusado pelo Ministério Público de atuar como intermediário, e o coronel da reserva do Exército Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas, apontado pela acusação como responsável pelo financiamento da execução.
Os três respondem por homicídio triplamente qualificado e permanecem presos. A acusação é conduzida pelos promotores Samuel Frungilo e Vinícius Gahyva Martins. O júri é presidido pelo juiz José Mauro Nagib Jorge, da 11ª Vara Criminal de Cuiabá.
Esta é a segunda vez que os réus enfrentam o julgamento em plenário. O primeiro júri teve início em 28 de julho, mas precisou ser interrompido depois que um dos jurados passou mal. Com a dissolução do Conselho de Sentença e a escolha de novos jurados, os atos realizados em plenário precisam ser repetidos, enquanto as provas que já integram o processo permanecem válidas.
Roberto Zampieri foi assassinado a tiros em 5 de dezembro de 2023, no bairro Bosque da Saúde, em Cuiabá. A acusação sustenta que o homicídio estaria relacionado a uma disputa agrária e judicial envolvendo uma propriedade rural avaliada em aproximadamente R$ 100 milhões.
Aníbal Manoel Laurindo e Elenice Ballarotti Laurindo são apontados pela acusação como mandantes do assassinato. Os dois, porém, respondem em processo separado e não integram o julgamento realizado nesta terça-feira.

