Lucas do Rio Verde - Março 17, 2026

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Há 12 anos, filha se reinventa para cuidar de mãe com Alzheimer em MT

Lilian Araujo é professora aposentada e há 12 anos foi diagnosticada com a doença

Por: Portal JVC / Gazeta Digital

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(Autor da imagem: Portal JVC)

Há 12 anos a vida da família Luz mudou repentinamente após a matriarca Lilian Araújo Luz, 74, ser diagnosticada com Alzheimer. Professora aposentada, hoje vive todos os dias uma nova história, através dos cuidados da filha psicóloga Emanuella Luz, 39. Juntas, elas lutam para se reinventar diante dos desafios da doença.

Em entrevista,  Emanuella descreveu a mãe como uma mulher extremamente ativa, que trabalhava durante os 3 períodos, em locais diferentes. Quando se aposentou, aos 62 anos, em 2009, a rotina mudou. Em casa, ela passou a apresentar alguns sinais de mudança na personalidade e comportamento, como a tristeza, insônia,  certa desconexão da realidade que a princípio foi tratada como depressão.

“Eu não sosseguei enquanto não vi minha mãe bem. Um sinal de alerta veio quando eu a vi esquecer o meu próprio nome. Eu e minha tia procuramos um neurologista e o diagnóstico veio. Era doença de Alzheimer. Foi um momento bastante doloroso e impactante”, explicou.

Com diagnóstico e mudança de medicamentos, Lilian já era outra pessoa e voltou a sorrir. No começo, ela ficava somente em casa com a filha e a irmã, porém com avanço da doença elas decidiram buscar por mais ajuda e atualmente os cuidados contam com uma equipe multiprofissional com um neurologista, fisioterapeuta, geriatra, terapeuta ocupacional, educador físico e por fim um psicólogo e psiquiatra.

“Fui em busca de saber o que minha mãe precisava e depois de uns anos, com a progressão da doença, encontrei um lugar chamado ‘Centro Dia’ – Piu Vita, e não tinha ideia do que era e o que esse local proporcionava para idosos. Lá encontrei acolhimento e um preparo profissional qualificado para o paciente com doença de Alzheimer. Foi aí que tive contato com o termo cuidado paliativo e rede de apoio junto ao portador da doença”, pontuou.

Para Emanuella, a doença de Alzheimer traz consigo a sensação de um luto diário, uma necessidade de que todos os dias o vínculo seja estabelecido, uma busca incessante para retomar a conexão com sua mãe que muitas vezes não se lembra dela.

“Tem momentos que tenho conversas maravilhosas com minha mãe, a sensação é que ela “voltou”, mas depois de uma noite de sono, para ela nada aconteceu, o luto é diário: você perde alguém que ainda não morreu, tem dias que ela não lembra quem eu sou, mas eu lembro e sei quem ela é, a pessoa que conheço e convivo hoje não representa tudo o que ela foi para mim, mas ela ainda é minha amada mãe e diante disso, é mais respeitada e amada como antes, ou até mais”, finalizou.

Diagnóstico

A reportagem  conversou com a médica geriatra Thamirys Andrade, que explicou que a doença do Alzheimer é um transtorno neurodegenerativo progressivo que costuma se manifestar com mais frequência em idosos a partir dos 65 anos, ela pode estar associados a alguns fatores de risco metabólicos e comportamentais como presença de alterações cardiovasculares, diabete e tabagismo, além de fatores de risco de caráter genético, como a alteração do alelo APOE4 e história positiva para Alzheimer na família.

Especializada na área, a médica pontuou algumas medidas de prevenção que podem ser realizadas desde a juventude para ocorrer uma redução dos riscos de desenvolvimento da doença.

“Devemos focar em termos bons hábitos de vida: como ingestão alimentar balanceada, ingestão de castanhas e alimentos ricos em Ômega 3,dieta baixa em gorduras, realização de atividade física diariamente, cessar tabagismo, não abuso de ingestão alcoólica, estes são fatores protetores e que comprovadamente reduzem risco desenvolvimento da doença ao longo da vida”, explicou.

A doutora explica que ainda não há medicação que consiga impedir o avanço da doença, mas que há um tratamento que deve ser realizado de maneira individualizada, visto que gradativamente mudanças de funcionalidade e aumento da dependência irão ocorrer, é fundamental ter um médico geriatra para acompanhe a evolução do quadro e faça as orientações proporcionais para cada etapa da doença.

Jornalista Valdecir Chagas

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