Lucas do Rio Verde - Março 17, 2026

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Polícia faz busca e apreensão para investigar ex-assessora jurídica por extorquir juiz em R$ 1,5 milhão em Sorriso

A busca e aprensão aconteceu nesta sexta feira em Nortelândia

Por: Portal JVC / Sonotícias

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(Autor da imagem: Sonotícias)

Polícia Civil cumpriu, nesta sexta feira(7), em Nortelândia, mandado de busca e apreensão a uma advogada e ex-assessora judiciária, investigada por extorquir um magistrado estadual. A delegacia de Sorriso instaurou inquérito policial para apurar os crimes de extorsão, exploração de prestígio, falso testemunho, prevaricação, calúnia, denunciação caluniosa e associação criminosa, a partir do recebimento de informações que constataram o cometimento dos crimes pela investigada que também tentou cooptar dois assessores para participar da extorsão contra um magistrado.

A ex-assessora, de 43 anos, que chegou a exercer a função de chefe de gabinete do magistrado, foi exonerada no primeiro semestre deste ano. A Polícia Civil apurou ainda que durante o tempo em que exerceu o cargo de assessora jurídica no Judiciário estadual, a investigada também atuou como advogada, mesmo estando impedida legalmente. A investigação da vida pregressa da suspeita demonstrou que, por diversas ocasiões, ela cometeu falsidade ideológica com intuito de tomar posse em cargo público.

A Polícia Civil apurou que, antes de trabalhar em Mato Grosso, ela foi analista técnico-jurídico da secretaria de Estado e Defesa Social de Minas Gerais. Em 2012, foi submetida a uma Sindicância Administrativa que culminou com a perda do cargo por inassiduidade habitual no serviço público. Posteriormente, ela alterou seu nome judicialmente, o que permitiu que a suspeita cometesse, em ao menos cinco ocasiões, o crime de falsidade ideológica em documento público. Em Mato Grosso, a investigada exerceu o cargo de assessora em cinco comarcas e foi apurado que ela usou informação falsa na declaração apresentada ao Tribunal de Justiça de Mato Grosso, pois durante o período em que exerceu o cargo de assessoria jurídica, também atuou como advogada, mesmo legalmente impedida.

A Polícia Civil informa que, a investigada traçou um plano criminoso visando extorquir R$ 1,5 milhão do magistrado com quem trabalhou. Para isso, ela tentou convencer mais dois assessores jurídicos do mesmo gabinete a participar de seu plano. A intenção da investigada, segundo ela mesma confessa aos antigos colegas de trabalho, era iniciar uma campanha difamatória e sabotar procedimentos do magistrado a fim de gerar problemas graves para ele junto à Corregedoria Geral de Justiça. Em seguida, ela o extorquiria na quantia de R$ 1,5 milhão que, segundo afirmou, seriam divididos entre ela e os dois assessores que tentou cooptar.

Conforme o material coletado na investigação e demonstrado nos diálogos mantidos por ela, a ex-assessora tinha crença em sua impunidade e chegou a descrever como faria a sabotagem dos procedimentos judiciais presididos pelo magistrado. Ela detalhou que lançaria minutas fraudulentas ou erradas, em meio a uma pilha de outros documentos, a fim de dificultar que o juiz conseguisse identificá-las. Em um áudio enviado aos dois assessores, ela diz que teria proteção e promete cargos, com o intuito de convencê-los a participar do intento criminoso.

Além de adulterar as minutas e atuar para que o juiz não detectasse as fraudes, a investigada excluiu pedidos de informações que constavam em malotes digitais enviados pelo Tribunal de Justiça ao magistrado, a fim de que ele não respondesse às solicitações recebidas.

Mesmo após a recusa dos dois assessores, a investigada deu sequência à ação criminosa e começou a sonegar as requisições do Tribunal de Justiça por malote digital e também proibiu os demais assessores de acessar os procedimentos, alegando que a atribuição seria sua. Um dos assessores foi, inclusive, proibido por ela de acessar os procedimentos que chagassem a ele por e-mail funcional. As condutas da ex-assessora acabaram gerando instauração de sindicâncias para o magistrado.

Em áudios enviados à vítima, a investigada exige que o magistrado pague R$ 1,5 milhão para que não o prejudique nos procedimentos junto à Corregedoria Geral de Justiça, instaurados por atos ilícitos cometidos por ela. Dando sequência aos atos criminosos, a investigada ameaça, inclusive, extorquir a mãe do magistrado. “Mas eu já adianto isso, não pode vazar em. Porque eu não vou negociar com ele, eu vou negociar com a mamãezinha dele, entendeu?”

Jornalista Valdecir Chagas

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