O presidente da Câmara de Vereadores de Lucas do Rio Verde, Airton Callai, anunciou nesta sexta-feira (10) a realização de uma audiência pública para debater o futuro da BR-163 e o planejamento da mobilidade urbana no município. O encontro deve ocorrer nos dias 27 ou 29 de abril, com a presença da concessionária Nova Rota do Oeste.
Segundo ele, o objetivo é apresentar à população um projeto que vem sendo discutido desde 2016 e que envolve o contorno viário da cidade, além das mudanças previstas para a rodovia federal. “Nós vamos trazer as pessoas da concessionária para apresentar esse projeto e também mostrar o que vai virar a BR-163 dentro de Lucas do Rio Verde”, afirmou.
Callai destacou que uma das principais preocupações do município é garantir mais travessias entre os dois lados da rodovia. Atualmente, há apenas uma ligação com essa função, e a proposta inicial da concessionária prevê a criação de apenas mais uma. Para o presidente da Câmara, isso é insuficiente diante do crescimento da cidade. “Nós queremos, no mínimo, quatro travessias. Não tem como Lucas do Rio Verde funcionar com apenas duas”, reforçou.
Ele explicou que há uma diferença entre viadutos e travessias urbanas, o que muitas vezes gera confusão. Nem todo viaduto permite a conexão direta entre os dois lados da cidade. “A proposta deles prevê três viadutos, mas apenas duas travessias. Para nós, isso não atende à necessidade atual e muito menos ao futuro do município”, pontuou.
Outro ponto central é o contorno viário, pensado para desviar o tráfego pesado que apenas cruza a cidade. A ideia é que caminhões e veículos de passagem utilizem um trajeto alternativo, com cerca de sete quilômetros a mais, reduzindo o fluxo dentro do perímetro urbano. “Quem não precisa entrar na cidade faz esse contorno. Isso melhora o trânsito e prepara Lucas do Rio Verde para o crescimento que vem pela frente”, explicou.
O planejamento também leva em consideração a chegada da ferrovia e a expansão urbana. De acordo com Callai, novos empreendimentos, armazéns e loteamentos devem intensificar a movimentação, especialmente em regiões que hoje ainda não contam com estrutura adequada. “Nós temos universidade chegando, novos loteamentos e um crescimento projetado. Precisamos pensar na cidade para as próximas décadas”, disse.
Enquanto as soluções definitivas não são implantadas, o município avalia medidas paliativas, como a instalação de semáforos na BR-163 para organizar o fluxo nos horários de pico. “Não é a solução ideal, mas pode ajudar momentaneamente. A BR para alguns minutos e permite que a população atravesse com mais segurança”, explicou.
O presidente da Câmara também ressaltou que o debate vem sendo realizado há anos, mas nem sempre conta com ampla participação popular. “Foram várias audiências desde 2016, mas muitas vezes as pessoas não participam. Agora que o projeto está mais próximo de sair do papel, é fundamental que a comunidade acompanhe e entenda o que está sendo decidido”, afirmou.
Uma reunião com a concessionária deve ocorrer nos próximos dias, em Cuiabá, com a participação do prefeito Miguel Vaz, do vice Joci Piccini e do secretário de Desenvolvimento Econômico, Planejamento e Cidade, Welligton Souto. A intenção é alinhar as propostas e levar um posicionamento mais claro à audiência pública.
“Não podemos tomar decisões apenas emergenciais e perder um investimento grande por falta de planejamento. Precisamos organizar a cidade para o futuro”, concluiu Callai.