Lucas do Rio Verde - Maio 14, 2026

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Bactéria em produtos da Ypê é resistente a antibióticos e tem alta letalidade hospitalar

Especialistas alertam que micro-organismo Pseudomonas aeruginosa sobrevive em ambientes úmidos e pode causar infecções graves em pessoas com imunidade baixa

Por: Portal JVC / Repórter MT

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(Autor da imagem: Portal JVC)

A bactéria Pseudomonas aeruginosa, detectada em lotes de detergentes e sabões da marca Ypê, acende um alerta entre especialistas devido à sua alta capacidade de resistência a medicamentos. Segundo o infectologista Celso Ferreira Ramos Filho, em entrevista à Agência Brasil, o micro-organismo é um dos principais desafios em ambientes hospitalares, onde o uso intenso de antibióticos acaba selecionando as cepas mais fortes e difíceis de combater.

Diferente de outros germes que habitam o corpo humano, a Pseudomonas é um organismo de “vida livre”, encontrado naturalmente no solo e na água. Essa característica permite que ela sobreviva e se multiplique em locais úmidos, como esponjas de louça, panos de limpeza e superfícies domésticas, facilitando a contaminação caso o controle de qualidade na fabricação falhe.

Riscos à saúde e grupos vulneráveis

Embora raramente cause doenças em pessoas saudáveis, a bactéria representa um perigo real para pacientes imunocomprometidos ou com doenças crônicas. O infectologista explica que a infecção pode evoluir de quadros urinários a problemas respiratórios graves, especialmente em pacientes que utilizam respiradores, cateteres ou passam por quimioterapia. Em pessoas com fibrose cística, por exemplo, a bactéria é uma causa recorrente de pneumonia de difícil tratamento.

Até mesmo indivíduos saudáveis não estão totalmente isentos de riscos: o contato com águas ou materiais contaminados pode gerar quadros como a “otite de nadador”. Para a médica Raiane Cardoso Chamon, professora da UFF (Universidade Federal Fluminense), o cenário mais crítico ocorre quando a bactéria entra em hospitais, onde pode causar infecções generalizadas no sangue e ventilação mecânica, tornando o tratamento extremamente complexo devido à sua blindagem contra fármacos.

Falha no controle de produção

A hipótese levantada por especialistas é de que a contaminação tenha ocorrido durante a fabricação por falta de controle microbiológico rigoroso. É provável que algum reagente ou insumo estivesse contaminado, permitindo que a bactéria se proliferasse nas etapas de produção. A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) determinou que todos os produtos com lote final “1” sejam retirados de circulação imediatamente.

Em nota, a Ypê afirmou que está colaborando com a Anvisa e realizando testes independentes para garantir a segurança de seus itens. A empresa ressaltou que mantém um plano de conformidade com o órgão regulador desde 

Jornalista Valdecir Chagas

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