Lucas do Rio Verde - Março 9, 2026

Conheça nossas redes sociais

Delegada diz, que Feminicídio é resultado de problemas históricos e culturais

Segundo levantamento da Polícia Civil, 43 mulheres morreram nos 7 primeiros meses de 2023 em MT

Por: Portal JVC / Gazeta Digital

Compartilhe:

b4c17d308ecb679b89f99e5e08ba025a
(Autor da imagem: Portal JVC)

Apesar da Segurança Pública de Mato Grosso ter registrado uma queda de 22% no número de feminicídios no primeiro semestre de 2023 – se comparado com o mesmo período de 2022 -, a crueldade e a frequência em que os casos estão sendo registrados está assustando a sociedade e até mesmo as autoridades.

Segundo levantamento da Polícia Civil, 43 mulheres morreram nos 7 primeiros meses de 2023. Para a delegada Ana Paula Marien, responsável pela investigação de crimes contra as mulheres, os casos são complexos, histórico e cultural, como, por exemplo, a culpabilização da vítima.

“Essa questão de culpar a vítima é histórica e cultural. Infelizmente, as mulheres não possuem a mesma liberdade dos homens e isso reflete de forma violenta para muitas delas”, explicou ao  .

Registros apontam que a maioria das ocorrências são registradas dentro do ambiente doméstico, sendo os companheiros e ex-companheiros os principais autores dos crimes. Além disso, foi apontada que a principal arma usada é a arma de fogo, seguido de facas, canivetes e facões.
“Geralmente, quando eles são interrogados até dizem que estão arrependidos. Mas, logo se justificam dizendo que cometeram o crime por culpa da vítima”, lembrou a delegada

Conforme a delegada, assim que são ouvidos, os autores dos crimes de feminicídio justificam que só a mataram a vítima porque “perderam a cabeça”. Para ela, esse arrependimento “não é verdadeiro, já que, em seguida, justificam que a vítima causou isso neles”.

Cultura machista

A professora e doutora em política social, Marluce Souza e Silva, reforça também que o feminicídio é um reflexo da cultura machista, que considera que a mulher deve ser submissa aos homens, “nem que, para isso, ele utilize força e crueldade”.

Para ela, a única forma desse crime ser combatido é através do rompimento da cultura e mudança perspectiva da sociedade através de implantações de políticas públicas, projetos culturais e igualdade e liberdade para todos os gêneros, especialmente para as mulheres.

“Para modificar o nível de violência a que estamos submetidas precisamos educar nossos filhos para estabelecerem relações saudáveis com suas irmãs, namoradas, esposas e filhas. Precisamos resistir todos os comportamentos violentos e com raízes histórico-culturais da força, do medo e da opressão”, comenta.

Marluce explica ainda que é necessário romper o ciclo de violência e que todos os setores da sociedade devem ser aliados na luta. “A sociedade e as instituições estatais e não estatais, como as igrejas, devem pôr fim aos seus projetos culturais e educacionais do medo e do pecado, ao estado cabe implantar políticas públicas que tratem com efetividade das ocorrências e que não deixem impunes”, finalizou.

Agosto lilás 

A campanha Agosto Lilás foi criada em referência à sanção da Lei Maria da Penha (Lei Federal nº 11.340/ 2006), que completou seus 18 anos no dia 7 de agosto. Essa lei foi criada para amparar as mulheres vítimas de violência, seja ela física, sexual, psicológica, moral ou patrimonial e sensibilizar e conscientizar a sociedade sobre o necessário fim da violência contra a mulher.

Jornalista Valdecir Chagas

Fale Conosco

Pelo canal de atendimento ao cliente, estamos disponíveis para atendê-lo(a) da melhor forma