O deputado estadual de Mato Grosso, Gilberto Cattani (PL), classificou como um alento a condenação dos assassinos da filha dele, Raquel Cattani, que foi morta em 2024, com 34 facadas em um crime premeditado, que foi planejado pelo ex-marido dela e cometido pelo irmão dele. Após 16 horas de julgamento Romero Xavier Mengarde e Rodrigo Xavier Mengarde foram condenados, na madrugada de hoje (23), a 30 e 33 anos de prisão, respectivamente, em regime fechado.
Cattani acompanhou todo o julgamento frente a frente com os assassinos da própria filha. Ao final ele elogiou o trabalho dos agentes da Justiça, mas criticou que as leis são fracas ao comentar as penas, consideradas máximas, estabelecidas ao mandante e ao executor do assassinato.
“As limitações de condenação são fracas no nosso país, mas é um alento, uma sensação de que vão pelo menos pagar um pouco do que fizeram de mal à nossa família”, pontuou.
À imprensa, Cattani comentou que a aplicação da sentença é considerada pela família como um remédio, já que a dor que sofrem não tem cura.
“Não tem como encerrar, não tem como esquecer, não tem como modificar, não tem como voltar atrás, o que tá feito, tá feito, mas é uma coisa que ameniza”, observou.
Os jurados reconheceram a prática do crime de homicídio e consideraram as seguintes qualificadoras: feminicídio, motivo torpe, meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima.
Quanto ao feminicídio, ambos obtiveram a condenação máxima permitida pela legislação brasileira.
O julgamento foi marcado pelo depoimento emocionado da mãe da vítima, Sandra Cattani, que chorando relatou o horror ao encontrar o corpo da filha.
Ela descreveu o desespero de tentar chamar pela filha, já sem vida, e afirmou que a cena nunca saiu de sua memória.
Sandra chorou ao falar dos netos, que hoje vivem com ela e o marido, o deputado estadual Gilberto Cattani.
Segundo ela, as crianças sabem da morte da mãe e a saudade é diária. A neta mais nova, inclusive, pede para ver fotos e vídeos de Raquel todas as noites e se recusa a tirar uma camiseta que era da mãe.
“Ele tirou o direito de eles terem a mãe. Ele acabou com a vida dos filhos dela. […] Raquel faz muita falta. Corta nosso coração quando as crianças pedem por ela”, afirmou.
O crime
Romero Xavier foi casado com Raquel por cerca de dez anos e não aceitava o fim do relacionamento. Segundo o Ministério Público, ele planejou o assassinato da ex-mulher e ofereceu R$ 4 mil ao irmão, Rodrigo Xavier, para matá-la.
Com isso, Rodrigo entrou na casa da vítima por uma janela, no Assentamento Pontal do Marape, na noite do dia 18 de julho de 2024, e aguardou a chegada dela.
Raquel foi atacada com 34 facadas e, em seguida, o assassino revirou o quarto dela para forjar uma cena, furtou diversos pertences e fugiu usando a motocicleta da vítima.
O corpo foi encontrado no dia seguinte pela mãe de Raquel, Sandra Cattani.


