Na política, poucas derrotas são tão simbólicas quanto perder dentro da própria casa. E foi exatamente isso que aconteceu com o senador Jayme Campos na convenção do União Brasil. Ao ser derrotado por 30 votos a 19 na tentativa de convencer o partido a lançar candidatura própria ao Governo de Mato Grosso, o veterano político viu ruir uma das principais bases de sua influência: o controle da legenda que ajudou a construir desde os tempos da Arena, passando por PDS, PFL, DEM e, agora, União Brasil.
Mais do que uma votação interna, o resultado representa uma mudança geracional e de comando na principal força política de Mato Grosso. O centro de gravidade do partido deixou de orbitar em torno de Jayme Campos e passou a ser ocupado pelo governador Mauro Mendes, que conseguiu impor a estratégia de apoiar a candidatura do vice-governador Otaviano Pivetta.
A derrota ganha contornos ainda mais expressivos porque ocorre justamente no partido onde Jayme construiu sua trajetória política durante mais de 40 anos.
A analista política Christianny Fonseca resumiu o simbolismo do episódio ao afirmar que o senador “sai derrotado dentro de um partido que ele ajudou a construir”, ressaltando que o revés tem um peso político muito maior por ocorrer dentro da própria estrutura partidária.
O começo do “ostracismo” esquecimento político
Aos 77 anos, Jayme Campos vive um momento decisivo. Seu mandato no Senado termina em 2027 e, até o momento, ele não demonstra disposição para disputar novamente um cargo de projeção estadual.
Nos bastidores, cresce a percepção de que seu último grande projeto político poderá ser uma candidatura à Prefeitura de Várzea Grande, cidade onde iniciou sua trajetória e onde sua família construiu uma das mais tradicionais forças políticas do Estado.
Se esse cenário se confirmar, a disputa poderá representar não apenas uma eleição municipal, mas o capítulo final de uma carreira que atravessa quase cinco décadas.
Entretanto, o caminho está longe de ser simples.
Uma adversária em ascensão
Ao contrário do passado, quando o grupo Campos exercia ampla hegemonia em Várzea Grande, o cenário político mudou.
A prefeita Flávia Moretti começa a construir uma agenda administrativa capaz de produzir dividendos eleitorais importantes. Um dos principais exemplos é a elaboração do Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS) para os servidores municipais, uma reivindicação histórica do funcionalismo que jamais foi implementada durante as administrações comandadas por Jayme Campos ou por integrantes de sua família.
Caso consiga concluir essa política pública, Flávia poderá consolidar uma relação institucional com milhares de servidores e suas famílias.
Mas esse talvez seja apenas o primeiro desafio para quem pretende enfrentá-la.
Água e saúde podem definir a sucessão
Os dois maiores problemas históricos de Várzea Grande sempre foram conhecidos pela população: o abastecimento de água e a precariedade da saúde pública.
Se, com apoio do Governo do Estado, a atual gestão conseguir avançar de maneira consistente na solução da crise hídrica e tirar do papel o novo Pronto-Socorro Municipal, o ambiente político poderá sofrer uma transformação profunda.
São obras e políticas públicas aguardadas há décadas pela população.
Caso esses resultados sejam percebidos pelo eleitor até 2028, Flávia Moretti poderá chegar à disputa em posição bastante competitiva, reduzindo significativamente o peso da tradição política da família Campos.
Nos bastidores, cresce a percepção de que seu último grande projeto político poderá ser uma candidatura à Prefeitura de Várzea Grande, cidade onde iniciou sua trajetória e onde sua família construiu uma das mais tradicionais forças políticas do Estado.
Se esse cenário se confirmar, a disputa poderá representar não apenas uma eleição municipal, mas o capítulo final de uma carreira que atravessa quase cinco décadas.
Entretanto, o caminho está longe de ser simples.
Uma adversária em ascensão
Ao contrário do passado, quando o grupo Campos exercia ampla hegemonia em Várzea Grande, o cenário político mudou.
A prefeita Flávia Moretti começa a construir uma agenda administrativa capaz de produzir dividendos eleitorais importantes. Um dos principais exemplos é a elaboração do Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS) para os servidores municipais, uma reivindicação histórica do funcionalismo que jamais foi implementada durante as administrações comandadas por Jayme Campos ou por integrantes de sua família.
Caso consiga concluir essa política pública, Flávia poderá consolidar uma relação institucional com milhares de servidores e suas famílias.
Mas esse talvez seja apenas o primeiro desafio para quem pretende enfrentá-la.
Água e saúde podem definir a sucessão
Os dois maiores problemas históricos de Várzea Grande sempre foram conhecidos pela população: o abastecimento de água e a precariedade da saúde pública.
Se, com apoio do Governo do Estado, a atual gestão conseguir avançar de maneira consistente na solução da crise hídrica e tirar do papel o novo Pronto-Socorro Municipal, o ambiente político poderá sofrer uma transformação profunda.
São obras e políticas públicas aguardadas há décadas pela população.
Caso esses resultados sejam percebidos pelo eleitor até 2028, Flávia Moretti poderá chegar à disputa em posição bastante competitiva, reduzindo significativamente o peso da tradição política da família Campos.
No entanto, pela primeira vez em muitos anos, o futuro político do senador parece depender menos de sua força pessoal e mais da capacidade de reconstruir espaços de influência.
Se conseguir voltar a liderar um projeto competitivo, poderá encerrar sua carreira com uma última vitória.
Se não conseguir, a convenção do União Brasil poderá ser lembrada, no futuro, como o momento em que começou o ocaso político de uma das figuras mais influentes da história recente de Mato Grosso.