O Tribunal do Júri da Comarca de Sorriso condenou, na quinta-feira (27), Alison Antônio Silva Vieira e Washington Luiz Matias Sanches pelos crimes de homicídio qualificado e ocultação de cadáver.
As penas somadas ultrapassam 54 anos de reclusão. Alison Antônio foi condenado a 27 anos de prisão e Washington Luiz a 27 anos e 7 meses de reclusão, ambos em regime inicial fechado.
Durante os debates, o Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), representado pelos promotores Fabison Miranda Cardoso e Eduardo Antônio Ferreira Zaque - do Grupo de Atuação Especial no Tribunal do Júri (GAEJúri), sustentou a responsabilização dos réus pela morte de Eleandro Brandino, ocorrida entre os dias 17 e 18 de janeiro de 2024.
A vítima foi capturada, levada para uma área de mata nos fundos de um estabelecimento comercial e submetida a um “tribunal do crime”. Após ser agredido com arma branca e decapitado, o corpo de Eleandro Brandino foi enterrado em covas distintas, com o objetivo de dificultar as investigações. “Foi possível demonstrar ao Júri que a vítima foi submetida a sofrimento extremo e executada com método cruel, num cenário de total vulnerabilidade. A sociedade não pode admitir práticas violentas ditadas por supostos ‘tribunais do crime’”, destacou o promotor de Justiça Fabison Miranda Cardoso.
O Conselho de Sentença reconheceu as qualificadoras de motivo torpe, meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima, além do concurso de agentes. Os jurados também entenderam pela participação dos réus na ocultação do cadáver. “A decisão do Tribunal do Júri reafirma que em Mato Grosso não há espaço para execuções sumárias nem para a tentativa de impor um regime paralelo de justiça”, finalizou o promotor de Justiça Eduardo Antônio Ferreira Zaque.
O caso
Um adolescente identificado como André Valter Silva de Souza, de 17 anos, morreu na tarde de quarta-feira (11) durante um confronto com a Polícia Civil, em Sorriso. Ele era investigado por envolvimento em diversos crimes e, segundo a polícia, reagiu durante uma abordagem.
De acordo com as autoridades, Valter era suspeito de ter participado de um assalto à mão armada ocorrido na madrugada de segunda-feira (9), e era alvo de investigações da Delegacia Especializada.
Ele possuía uma extensa ficha criminal, mesmo sendo menor de idade, com registros por roubo, homicídio doloso, tráfico de drogas, receptação, posse e porte ilegal de armas de fogo, posse ilegal de arma de fogo de uso restrito, além de participação em organização criminosa. Entre os crimes mais graves atribuídos ao menor está a participação em três homicídios, incluindo um caso brutal ocorrido em janeiro de 2024, quando a vítima, Eleandro Brandino, conhecido como “Profeta”, de 27 anos, foi decapitada ainda com vida.
O corpo e a cabeça da vítima foram encontrados enterrados em uma área de mata no bairro Benjamin Raiser, às margens da BR-163, em Sorriso. Na época do crime, Valter tinha apenas 16 anos. A cabeça de Eleandro foi enterrada separadamente em um buraco com água, a cerca de 500 metros de onde estava o corpo.
Durante o confronto que resultou em sua morte, os policiais afirmam que Valter estava armado e teria reagido à abordagem, o que provocou a troca de tiros. Ele não resistiu aos ferimentos e morreu no local. Nenhum policial ficou ferido.