O fazendeiro Aníbal Manoel Laurindo, acusado de ter encomendado o assassinato do advogado Roberto Zampieri, continuará preso preventivamente. A manutenção da medida foi determinada pelo juiz André Barbosa Guanaes Simões, da 12ª Vara Criminal de Cuiabá, em decisão assinada no dia 5 de outubro, após uma nova análise da necessidade das prisões dos envolvidos no processo.
Zampieri foi executado a tiros em dezembro de 2023, na capital mato-grossense. Segundo a investigação, a morte estaria relacionada a um conflito judicial envolvendo propriedades rurais, com suspeita de participação de diferentes pessoas no planejamento e na execução do crime.
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Ao reavaliar a situação de Aníbal, o magistrado considerou os elementos reunidos durante a investigação, que apontam o fazendeiro como possível responsável pela contratação do assassinato.
“Os elementos investigativos indicam, em tese, que Aníbal teria atuado na encomenda do homicídio de Roberto Zampieri, em contexto relacionado a disputa judicial envolvendo terras no Estado de Mato Grosso e no qual se investiga atuação articulada de diversos agentes”, registrou o juiz.
A decisão também manteve as prisões de Antônio Gomes da Silva, Hedilerson Fialho Martins Barbosa e Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas, coronel da reserva do Exército que está custodiado na Penitenciária Federal de Brasília.
Os três são apontados, respectivamente, como executor, intermediário e financiador do homicídio. Eles foram submetidos a julgamento pelo Tribunal do Júri de Cuiabá no início deste mês e condenados, em 2 de outubro, a penas que, juntas, ultrapassam 68 anos de prisão.
A situação dos demais acusados também foi examinada. No caso de Gilberto Louzada da Silva, a Justiça decidiu preservar a prisão domiciliar com monitoramento eletrônico, levando em consideração problemas de saúde e a necessidade de acompanhamento médico permanente.
Já Peterson Venites Komel Júnior, que responde ao processo em liberdade, conseguiu autorização para ampliar seus deslocamentos por motivos profissionais. Embora tenha rejeitado a retirada da tornozeleira eletrônica, o magistrado permitiu que ele circule entre Barueri e São Paulo, inclusive pelas vias metropolitanas que conectam os municípios.
O horário limite para o recolhimento noturno também foi alterado, passando das 20h para as 22h.
A decisão ainda aborda dificuldades enfrentadas pelas defesas para acessar provas digitais encaminhadas pela Polícia Federal. Dois HDs contendo cópias de informações extraídas de aparelhos apreendidos apresentaram problemas: um não pôde ser lido corretamente, enquanto o outro ainda precisava passar por uma verificação presencial de integridade.
Para solucionar a situação, o juiz determinou o envio de uma nova mídia pela Polícia Federal. O material deverá ser submetido à análise da Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) antes de ser disponibilizado aos advogados por meio de um ambiente virtual seguro.
Enquanto o acesso integral aos documentos não for garantido, permanecerão suspensos os prazos para apresentação ou complementação das defesas prévias. Os réus terão dez dias para se manifestar após a liberação dos arquivos.
A ação penal envolve nove acusados, que se tornaram réus em junho deste ano, após o recebimento da denúncia pela juíza Mônica Catarina Perri Siqueira.
Além de Aníbal, Antônio, Hedilerson, Etevaldo, Gilberto e Peterson, também respondem ao processo Elenice Ballarotti Laurindo, Salezia Maria Pereira de Oliveira e Mário Jorge Bucater.
De acordo com a Polícia Civil, o homicídio teria sido planejado por um grupo com funções previamente distribuídas e atuação voltada à execução de crimes por encomenda. A principal linha investigativa relaciona a morte do advogado a uma disputa envolvendo a Fazenda Lagoa Azul, localizada em Paranatinga e avaliada em aproximadamente R$ 100 milhões.
Roberto Zampieri foi assassinado em 5 de dezembro de 2023, quando saía do escritório onde trabalhava, em Cuiabá. Ao entrar em uma Fiat Strada, foi surpreendido por um homem armado, que efetuou aproximadamente dez disparos.
Imagens de câmeras de segurança registraram a ação. O atirador estava com o rosto descoberto e utilizou uma caixa para tentar abafar o barulho dos tiros. Depois do crime, fugiu a pé.
A análise do celular da vítima também revelou informações que deram origem a investigações sobre suspeitas de comercialização de decisões judiciais no Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), envolvendo um lobista e desembargadores. Essas apurações, entretanto, não são apontadas como motivação para o assassinato.