A possibilidade de o prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), se licenciar do cargo para se dedicar à campanha da primeira-dama, Samantha Iris (PL), à Assembleia Legislativa de Mato Grosso, perdeu força nos últimos dias. A medida havia sido anunciada pelo próprio prefeito em julho, mas, segundo fontes próximas ao gestor, a tendência agora é que ele permaneça à frente da prefeitura e concentre as agendas eleitorais nos finais de semana.
Uma fonte afirmou que Abilio já teria praticamente definido que não deixará o cargo durante o período eleitoral por conseguir conciliar suas atividades e notar o andamento da campanha eleitoral dos adversários.
Outra fonte ouvida pela reportagem aponta que o atual cenário político envolvendo a vice-prefeita Vânia Rosa (MDB) também teria pesado na avaliação. Em uma eventual licença, seria ela quem assumiria interinamente o comando do Palácio Alencastro.
A relação entre Abilio e Vânia se deteriorou nos últimos meses, em meio ao racha político entre os dois. Há cerca de duas semanas, ao anunciar a desistência da candidatura a deputada estadual, Vânia fez críticas à condução da gestão municipal e reclamou da falta de diálogo dentro da Prefeitura.
“Sempre falta esse espaço de diálogo, sempre falta essa maturidade nessa conversa, nessa construção entre prefeito e vice-prefeito. E não é à toa que a gente está sem atribuição legal até hoje. A decisão de licenciar é única e exclusiva dele. Eu não fiquei nesse espaço pensando em assumir cadeira de prefeito. Afinal de contas, a gente não muda nada em 20, 30 dias. A gestão aí está há mais de um ano e meio, e a gente vê como está. Então, mudar nesse momento é impossível. 20 dias não fazem milagre”, disse Vânia em 19 de agosto.
A possibilidade de afastamento havia sido anunciada por Abilio em 16 de julho. Na ocasião, o prefeito afirmou que pretendia se licenciar por 15 dias durante o período eleitoral, justamente para poder percorrer cidades do interior e ajudar nas campanhas de seu grupo político, especialmente a de Samantha.
Abilio chegou a dizer que a licença seria uma medida de prudência para evitar que a rotina administrativa da prefeitura fosse prejudicada durante suas viagens. Segundo ele, a necessidade de assinar documentos, projetos de lei e processos diariamente dificultaria conciliar a agenda de prefeito com uma campanha intensa fora de Cuiabá.
“Eu imagino que seja necessário para que fiquem mais confortáveis as decisões tomadas na gestão, sendo que eu tenho o interesse de rodar algumas cidades do interior”, afirmou na ocasião.