Uma mulher identificada como Nayana Miranda Conceição, de 39 anos, foi assassinada na tarde desta terça-feira (19), dentro da própria residência, no bairro Vila Bela, em Sorriso. Segundo a Polícia Militar, ela teria sido mantida em cárcere privado, torturada e executada após passar pelo chamado “tribunal do crime”, prática utilizada por facções criminosas para julgar e punir integrantes ou pessoas consideradas “infratoras” pelo grupo.
De acordo com o boletim de ocorrência, o Corpo de Bombeiros foi acionado por volta das 16h20 para atender uma mulher baleada na Rua Oiapoque. Quando as equipes chegaram ao local, encontraram Nayana já sem vida, atingida por pelo menos dois disparos de arma de fogo.
As primeiras informações repassadas por testemunhas apontam que cinco pessoas participaram da ação criminosa. Três suspeitos teriam chegado a pé e outros dois em uma motocicleta. Ainda conforme relato de uma testemunha, o grupo invadiu a residência por volta do meio-dia e trancou uma pessoa em um banheiro localizado na parte externa do imóvel.
Enquanto a testemunha permanecia presa, os suspeitos ficaram dentro da casa com a vítima. Durante o período em que Nayana foi mantida sob domínio do grupo, ela teria sido submetida a agressões e interrogatórios em uma videochamada com lideranças da facção criminosa. Após a sessão de tortura, ela foi executada.
Depois do crime, um dos envolvidos fugiu utilizando a moto da vítima. O veículo foi encontrado abandonado na esquina das ruas São Francisco de Assis e Japurá. Com informações de moradores, os policiais refizeram o trajeto feito pelo suspeito até um imóvel no Beco São Tomé, local já conhecido pelas forças de segurança por ser utilizado por integrantes de facção criminosa como esconderijo e ponto de uso de drogas.
Durante as buscas, equipes da Polícia Militar localizaram suspeitos no imóvel. Segundo os policiais, os abordados apresentaram versões contraditórias e depois confessaram participação no assassinato. Eles relataram que a vítima estaria vendendo drogas ligadas a uma facção rival, prática conhecida no meio criminoso como “cabritagem”, quando alguém comercializa entorpecentes sem autorização ou para grupos rivais.
Ainda conforme os relatos obtidos pela polícia, integrantes da organização criminosa teriam mandado uma mulher comprar drogas com Nayana para confirmar a origem do entorpecente vendido pela vítima. Após a suposta confirmação, líderes da facção ordenaram o “julgamento” e a execução.
As investigações também apontam ligação entre o assassinato de Nayana e uma tentativa de homicídio registrada no bairro Mário Raiter. Informações levantadas pelas forças de segurança indicam que a motivação dos crimes estaria relacionada à disputa entre facções criminosas pelo tráfico de drogas na cidade.
Cinco pessoas, sendo quatro homens de 18, 19 e 23 anos, além de uma mulher de 36 anos, são apontadas como envolvidas no caso. Parte dos suspeitos foi localizada e presa durante as diligências.
O caso segue sendo investigado pela Polícia Civil.