Lucas do Rio Verde - Outubro 19, 2026

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Necropsia não aponta causa da morte de jovem durante cirurgia plástica em Cuiabá

Lourdes Maria, de 24 anos, morreu após uma intercorrência durante lipoaspiração e implante de silicone

Por: Portal JVC / JB News

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(Autor da imagem: Portal JVC)

Lourdes Maria, de 24 anos, morreu após uma intercorrência durante lipoaspiração e implante de silicone; DHPP aguarda laudos complementares, enquanto Conselho de Medicina também apura atuação do profissional responsável.

A morte de Lourdes Maria de Lima Pessoa Padilha, de 24 anos, durante uma cirurgia plástica realizada na sexta-feira (16 de outubro), no Hospital Geral e Maternidade de Cuiabá, permanece cercada de dúvidas. O exame de necropsia realizado pela Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) não permitiu estabelecer, em avaliação preliminar, a causa exata do óbito, conforme as informações divulgadas sobre o caso. A jovem, que era casada e mãe de duas crianças, sofreu uma complicação durante procedimentos de lipoaspiração e colocação de próteses mamárias e morreu apesar das tentativas de reanimação.

A investigação está sob responsabilidade da Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), que busca esclarecer o que provocou a intercorrência, quais foram as condições clínicas apresentadas pela paciente durante a operação e se houve alguma falha nos procedimentos médicos, anestésicos ou hospitalares.

Segundo as informações encaminhadas à Polícia Civil, Lourdes estava submetida a uma cirurgia estética que envolvia retirada de gordura corporal por lipoaspiração e implantação de próteses de silicone nas mamas. Durante a intervenção, a equipe médica identificou uma alteração súbita no quadro clínico da paciente, levando à interrupção do procedimento.

A defesa do médico responsável, Euller Gustavo Pompeu de Barros Gonçalves Preza, informou que os profissionais iniciaram imediatamente manobras de reanimação cardiopulmonar, mantidas durante aproximadamente duas horas. Apesar dos esforços, a jovem não resistiu.

A ocorrência foi registrada como morte a esclarecer, classificação utilizada enquanto não existem elementos suficientes para determinar a causa e as circunstâncias do falecimento. Até o momento, não há comprovação de erro médico ou de responsabilidade criminal dos profissionais envolvidos.

O procedimento médico-legal foi realizado por uma médica legista da Politec, na Diretoria Metropolitana de Medicina Legal, em Cuiabá. Embora o exame necroscópico tenha sido realizado, a ausência de uma conclusão preliminar exige aprofundamento técnico por meio de análises complementares, capazes de identificar alterações que nem sempre são perceptíveis durante a avaliação inicial do corpo.

Do ponto de vista médico-legal, a investigação de uma morte ocorrida durante cirurgia pode envolver exames histopatológicos, destinados à análise microscópica de tecidos e órgãos, além de estudos toxicológicos, quando indicados, para identificar substâncias administradas e eventuais alterações relevantes.

Essas análises podem contribuir para investigar hipóteses como tromboembolismo pulmonar, embolia gordurosa, hemorragia, reação grave a medicamentos anestésicos, complicações cardiovasculares ou outras intercorrências associadas a procedimentos cirúrgicos. Nenhuma dessas possibilidades, entretanto, foi confirmada como causa da morte de Lourdes, e não há divulgação de resultados laboratoriais que permitam apontar uma hipótese específica como a mais provável.

Também será importante verificar se houve alterações na oxigenação, na pressão arterial, na frequência cardíaca ou em outros parâmetros monitorados durante a anestesia e a cirurgia. A documentação do procedimento poderá esclarecer em que momento surgiram os primeiros sinais da complicação e quais medidas foram adotadas pela equipe.

A parada cardiorrespiratória relatada após a intercorrência representa a interrupção das funções circulatória e respiratória, mas, isoladamente, não identifica a doença, lesão ou complicação que desencadeou o quadro fatal.

Outro ponto relevante será a análise do prontuário médico completo, incluindo avaliações pré-operatórias, exames laboratoriais, ficha anestésica, medicamentos administrados, registros de monitoramento, descrição cirúrgica e relatório das manobras de reanimação. Esses documentos podem ajudar os peritos a reconstruir a sequência dos acontecimentos e avaliar se a assistência observou os protocolos aplicáveis ao procedimento.

A Polícia Civil deverá utilizar os elementos técnicos para verificar se a morte decorreu de uma complicação imprevisível, de uma condição clínica não identificada anteriormente ou de eventual falha evitável durante a assistência. A ocorrência de um resultado fatal, por si só, não comprova negligência, imprudência ou imperícia.

O delegado Michael Mendes Paes, citado nas informações sobre a investigação, deverá contar com o trabalho pericial para esclarecer as circunstâncias da morte e avaliar eventual responsabilidade. A DHPP acompanhou os procedimentos relacionados à liberação do corpo e aguarda a documentação necessária para o prosseguimento da apuração.

Paralelamente à investigação policial, o Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso (CRM-MT) instaurou, no sábado (17), uma sindicância para analisar as circunstâncias do atendimento e verificar possíveis infrações éticas. A apuração administrativa ocorre independentemente do inquérito criminal e deverá examinar a conduta profissional segundo as normas que regulamentam o exercício da medicina.

Outro aspecto que passou a integrar a discussão é a qualificação profissional do médico responsável. Informações divulgadas a partir de consulta ao cadastro público do Conselho Federal de Medicina apontam que Euller Preza possui inscrição regular no CRM-MT, sob o número 4711, mas não apresenta Registro de Qualificação de Especialista (RQE) em cirurgia plástica no cadastro consultado.

O RQE é o registro que comprova perante os conselhos de medicina uma especialidade formalmente reconhecida. A ausência desse registro não equivale automaticamente à comprovação de exercício ilegal da medicina nem estabelece relação causal com a morte da paciente, mas constitui uma questão relevante para avaliação da qualificação e da publicidade profissional.

Em manifestação divulgada por sua assessoria jurídica, o médico lamentou profundamente a morte da paciente e apresentou solidariedade aos familiares. A defesa sustentou que Lourdes havia realizado as avaliações pré-operatórias exigidas e que a cirurgia ocorreu em ambiente hospitalar adequado, com profissionais habilitados e equipamentos necessários à assistência.

Os representantes do médico também afirmaram que Euller possui mais de 25 anos de experiência profissional e que a intercorrência teria sido súbita, compatível com complicações descritas na literatura médica. Ressaltaram, contudo, que a identificação da causa da morte depende dos exames oficiais e da conclusão das autoridades competentes.

O advogado Alex Cardoso declarou publicamente que o profissional possui extensa experiência em procedimentos cirúrgicos, defendendo sua capacitação técnica e a regularidade do atendimento. Essas declarações representam a posição da defesa e serão confrontadas com os elementos documentais e periciais reunidos durante a investigação.

A assessoria jurídica informou ainda que o médico registrou ocorrência policial relatando agressões e ameaças de morte após o falecimento de Lourdes. A Polícia Militar foi acionada ao hospital para atender à situação.

A tragédia também provocou profunda comoção entre familiares e amigos. Lourdes foi sepultada no domingo (18), dois dias depois de morrer durante o procedimento estético. O marido, Juan Pablo Padilha, manifestou publicamente a dor pela perda e relatou que a cirurgia representava um sonho pessoal da esposa, embora ele próprio tivesse reservas quanto à realização do procedimento.

Aos 24 anos, Lourdes deixou duas crianças e uma família que agora busca respostas para compreender por que uma intervenção estética terminou em morte.

O esclarecimento definitivo dependerá da conclusão dos exames periciais e da análise integrada dos registros médicos, das circunstâncias da cirurgia e dos depoimentos dos profissionais envolvidos.

Enquanto os resultados conclusivos não forem disponibilizados, a causa da morte permanece oficialmente sem definição, e qualquer atribuição de responsabilidade deverá ser sustentada por provas técnicas e documentais.

Jornalista Valdecir Chagas

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