O resultado do PL em Mato Grosso nestas eleições é incontestável. O partido elegeu quatro deputados estaduais, três deputados federais e um senador. Qualquer articulador político com esse desempenho seria valorizado e parabenizado.
Essa, porém, não parece ser a realidade do presidente estadual do partido, Ananias Filho. Apesar do bom desempenho, figuras importantes, especialmente entre os vitoriosos de 4 de outubro, não escondem a insatisfação com a condução do PL na campanha.
A explicação está em uma escolha feita de cima para baixo: a aliança com o MDB de Janaína Riva, imposta pela direção estadual sem ouvir as bases. Um acordo de família, articulado por Wellington Fagundes, candidato do partido ao governo e sogro de Janaína. O que deveria fortalecer a chapa virou peso. Os candidatos eleitos fugiram da imagem da filha de José Geraldo Riva, e nem o sogro conseguiu carregar o fardo que ele próprio trouxe para dentro do PL.
Wellington e Janaína ficaram sozinhos. Quase todos os candidatos e prefeitos do partido se afastaram dos dois, inclusive os das três maiores cidades do estado: Abilio Brunini, em Cuiabá, Flávia Moretti, em Várzea Grande, e Cláudio Ferreira, em Rondonópolis.
O racha teve consequências. Os candidatos que não abraçaram as campanhas foram tratados como traidores. Muitos relataram dificuldades para receber verbas do fundo eleitoral, e alguns teriam recebido menos do que o prometido, inclusive eleitos. Entre os insatisfeitos estariam Coronel Assis, Tiago Boava e Gilberto Cattani.
José Medeiros também deixou clara a insatisfação. Ele preferia pedir votos ao lado de Mauro Mendes, na dobradinha que acabou eleita para o Senado. O eleitor acompanhou pelas redes sociais e pela propaganda eleitoral uma guerra aberta entre Medeiros e Janaína, com disputa por tempo de televisão e troca constante de acusações. Medeiros chegou a comer melancia em público, numa referência aos políticos que se dizem de direita, mas que seriam de esquerda: verdes por fora, vermelhos por dentro.
Passadas as eleições, começa uma nova história, sempre contada pelos vencedores. Mas, no caso de Ananias, o resultado do partido não parece ter caído na conta dele.
Quem estaria à frente da mudança de rumo é Odílio Balbinotti, eleito primeiro suplente na chapa de Medeiros e coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro no estado. Na segunda-feira (5), ele reuniu em coletiva praticamente todas as lideranças do PL eleitas no dia anterior.
A única ausência foi Ananias Filho. Ele disse que foi convidado, mas que já tinha passagem comprada para Brasília, onde teria agenda com o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto. Até Wellington, derrotado no primeiro turno por Otaviano Pivetta, apareceu na parte final do evento.
Nos bastidores, a avaliação é de que Ananias perdeu prestígio, porque apenas as derrotas de Wellington e Janaína estariam na conta dele. Para muitos, os eleitos venceram por mérito próprio.
Compartilhe essa Notícia