Lucas do Rio Verde - Janeiro 19, 2026

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Produzimos, arrecadamos e esperamos: o grito do interior em 2026

Em um país marcado pela polarização extrema, pelo desgaste das instituições e por uma população pressionada pelas dificuldades econômicas, votar deixa de ser um ato automático e passa a ser uma responsabilidade histórica

Por: Rafael Pio é Assessor Parlamentar e Analista Sociológico. É bacharelando em Ciência Política pela UNOPAR e membro discente da Associação Brasileira de Ciência Política (ABCP).

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(Autor da imagem: Divulgação)

As eleições de 2026 não serão apenas mais uma data no calendário eleitoral. Elas se apresentam como um divisor de águas para o Brasil e, de forma ainda mais evidente, para Mato Grosso. Em um país marcado pela polarização extrema, pelo desgaste das instituições e por uma população pressionada pelas dificuldades econômicas, votar deixa de ser um ato automático e passa a ser uma responsabilidade histórica.

O cansaço do eleitor é generalizado, mas no interior de Mato Grosso ele é ainda mais profundo. Trata-se do cansaço de quem convive há anos com promessas vazias, discursos repetidos e projetos de poder que ignoram a vida real de quem mora nas comunidades rurais, nos distritos e nos municípios distantes dos grandes centros. Enquanto alguns comemoram números macroeconômicos, a realidade no Norte do estado revela outro cenário: custo de vida em alta, trabalho cada vez mais instável e serviços públicos que não acompanham o crescimento econômico.

É no interior de Mato Grosso que está a base que sustenta o estado e ajuda a alimentar o país. É ali que o agronegócio produz, que a economia gira e que a arrecadação cresce. Ainda assim, quem mantém essa engrenagem funcionando enfrenta estradas precárias, acesso limitado à saúde de qualidade, escolas sucateadas e uma presença insuficiente do poder público. Essa distância entre quem produz riqueza e quem recebe políticas públicas eficazes escancara uma desigualdade que não pode mais ser tratada como normal.

O desenvolvimento segue concentrado. Chega com mais força aos grandes centros e aos círculos de poder, enquanto o interior especialmente o extremo Norte, pulmão econômico do estado continua à espera de uma reciprocidade institucional que nunca chega.
Isso não é acaso. É resultado de escolhas políticas feitas ao longo do tempo. E o interior, que tem peso decisivo nas eleições, também tem força suficiente para alterar esse rumo.

Produzir muito não pode continuar significando viver com pouco

Como estamos em Janeiro de 2026 e o processo eleitoral está começando a esquentar, a desinformação tende a ser novamente utilizada como arma política, tentando confundir, dividir e manipular o eleitor. Diante disso, o voto deixa de ser apenas uma escolha entre nomes ou partidos. Passa a ser a decisão entre repetir práticas que já fracassaram ou apostar em novas formas de fazer política, mais responsáveis e conectadas com a realidade de quem sustenta o país.

As urnas de 2026 dirão se o interior de Mato Grosso continuará sendo lembrado apenas nos discursos de campanha ou se, finalmente, será respeitado como o que de fato é: a base que produz, arrecada e mantém o Brasil em movimento.

Jornalista Valdecir Chagas

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