A Polícia Civil identificou que Renildo da Silva Rios, o “Velhote” ou “Chapa”, apontado como “Conselheiro Final” do Comando Vermelho ultrapassava os muros da Penitenciária Central do Estado (PCE) e alcançava os campos de futebol amador de Várzea Grande. Segundo o relatório elaborado pela Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO) e da Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Draco), o líder mantinha controle direto e financiava a equipe “Unidos VG Chapadão”.
Mesmo preso, Renildo acompanhava o desempenho do time por meio de celulares e tablets mantidos irregularmente na cela. Em diálogos interceptados, a investigada Rhavenna Barcelos Almeida, de 31 anos, relata que a liderança deu um “sermão” nos atletas porque pagava academia e treinador, mas a equipe estava “dando mole” nas partidas.
Em um dos registros obtidos por meio da quebra de sigilo, datado em abril de 2026, Renildo comemora diretamente do presídio uma vitória por 5 a 2.
Os investigadores mostram no relatório que as camisetas da equipe eram confeccionadas com a imagem do personagem de anime Goku, marca registrada e adotada por Renildo em seus perfis nas redes sociais.
A perícia também localizou no Icloud Rhavenna fotos de joias personalizadas, incluindo um cordão de ouro com o pingente “Unidos VG Chapadão”. Além disso, os uniformes do time eram distribuídos e vestidos rotineiramente por familiares da investigada e por integrantes do projeto de evangelização “Resgatando Vidas”.
Relatório da Draco
No documento, é apontado que o hino do time exaltava “o Rei”. Em maio de 2026, Rhavenna transformou em áudio a letra de um hino composto por sua irmã em homenagem ao time. A letra narra que a equipe surgiu quando seu idealizador estava “aprisionado”, profetiza que “logo, logo o Rei vai voltar” e cita a missionária “segurando sua mão” ao lado do líder do CV.
Para a Polícia Civil, o financiamento do futebol comunitário demonstra como os vínculos e a influência estabelecidos no ambiente prisional se projetavam para atividades sociais e esportivas no meio externo.
“Rhavenna relata que Renildo teria dado um “sermão no time”, pois pagava academia e treinador, mas os jogadores “davam mole” nas partidas. O trecho reforça sua vinculação direta ao Chapadão, inclusive como financiador da estrutura esportiva”, afirma o documento.