O Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) manteve a ordem que obriga a Globo a retirar do ar vídeos e imagens íntimas do padre Luciano Braga Simplício, flagrado com uma mulher dentro da casa paroquial em Nova Maringá. O episódio viralizou nas redes sociais em outubro de 2025.
As imagens mostram familiares da mulher chegando à residência e arrombando a porta de um banheiro onde ela estaria escondida. Na ocasião, o padre negou ter mantido relação com a mulher e classificou o episódio como um “mal-entendido”.
Após a repercussão, o sacerdote acionou a Justiça alegando violação à intimidade e à imagem. Além da Globo, outros veículos de comunicação, plataformas digitais e pessoas envolvidas na gravação e divulgação do material foram incluídos na ação.
A Globo recorreu ao TJMT alegando que as reportagens estavam amparadas pela liberdade de imprensa e tratavam de fatos de interesse público. A empresa também informou que já havia retirado do ar as URLs indicadas pela Justiça.
Ao julgar o recurso, porém, a Primeira Câmara de Direito Privado manteve a remoção dos links específicos. Para o relator, desembargador Ricardo Gomes de Almeida, o fato de as imagens terem sido supostamente obtidas durante uma invasão de domicílio faz prevalecer, neste momento do processo, a proteção à intimidade e à imagem.
“A imprensa, ao reproduzir tal material, ainda que não tenha participado do ato ilícito original, não pode se escudar na liberdade de expressão para perpetuar a violação”, afirmou o relator.
O TJMT ressaltou que a Globo e os demais veículos podem continuar noticiando o caso e seus desdobramentos. A restrição mantida pela Corte recai sobre a reprodução das imagens e vídeos íntimos questionados na ação.
O julgamento ocorreu em 14 de julho e foi unânime. A ação principal continua em tramitação e ainda deverá definir eventual responsabilidade civil dos envolvidos.
Afastado das funções religiosas
O Padre Luciano, foi afastado da condução da Paroquia Nossa Senhora Aparecida, em Nova Maringá, após a repercussão do caso em 2025. A defesa do padre ajuizou ações de indenização de danos morais contra emissoras como a Aglobo, Record e SBT, alegando sofrer “linchamento virtual” e prejuízos severos a vida pessoal e profissional.
O tribunal de Justiça de Mato Grosso, determinou a exclusão de imagens e vídeos, das redes sociais. O padre nega qualquer relação amorosa inadequada e classifica o episódio com um mal entendido.